Que droga.
Eu já sabia disso e de outras coisas há algum tempo, a questão é que já tentei ser um criativo independente e deu merda, pra variar, porque eu não tenho estribeiras, e como já bem me disseram, tenho sérios problemas de—falte de—empatia, de modo a não conseguir levar a sério os problemas dos outros.
E, apesar de não gostar de ter que fazer as coisas num tempo que não era meu, ter que acordar cedo e depender do infernal transporte público sob o calor escaldante do Recife:
Voltei a trabalhar em escritório para poder ter um sensação de segurança —e fazer compras parceladas sabendo que no mês que vem ir ter grana certa.
A questão é que não quero voltar a trabalhar em escritório, ter que me justificar o tempo todo e ser subjugado a pessoas que confundem verbo no infinitivo com a terceira pessoa no singular do presente. Essa vida não é pra mim
Além do mais, no mercado daqui as pessoas pagam pouco pelo desgaste e quase nunca se pode fazer coisas que quebram ideias pré-fabricadas; seja pela clientela que não está preparada para aprovar algo ousado ou pela tromba de diretores de criação que implicam e suprimem ideias bacanas para não perderem o posto de gênios criativos do pedaço. Consigo pensar em vários episódios.
No final das contas minha dedicação era equivalente às minhas impressões da atmosfera.
“Ah, Caio, mas tem que ralar”
A culpa é minha por não querer uma vida medíocre de assalariado, num mercado ainda em desenvolvimento mas já cheio de dogmas e manias feias, eu sei. A questão é que eu tive minha chance de sair dessa cilada e, como falei no início, desperdicei.
Todavia:
Estou me dando outra chance de tentar outras coisas agora. Adoro ser designer e sei que sou bom nisso. Mas foi por amor que comecei esse ofício, e não quero estragar o talento que a vida me deu fazendo projetos ruins e estragando coisas lindas for the sake of making stuff more marketable.
Vou deixar de ser sedentário, vou aprender a tocar teclado e começar a produzir minhas próprias músicas. Vou aprimorar meus skills de ilustração, vou aprender a cozinhar melhor. Fiz uma tatuagem!!!! Quero voltar a fazer festas incríveis com toda a dedicação que eu tinha no início. Sei lá, vou fazer coisas. Não quero mofar.
Lição aprendida:
Nunca é tarde para ser feliz e se econtrar. Eu ainda não cheguei ao fim, mas estou novamente esperançoso. Sou uma alma livre.
Fin.
PS: Se você leu isso e se comoveu, e quer me ajudar, me dê dinheiro. Assim poderei me dedicar às mais variadas atividades e ainda pagar minhas contas.
Banco Itaú, Ag 1247 Conta 65714-9.

Caio, saudade de ler seus textos. Entendo isso que você tá passando e torço pra que você um dia chegue num patamar de poder usar o seu talento sem sofrer tanto. Você é muito bom no que faz. Beijo grande.
saudade, viu. fico muito feliz de um comentário seu por aqui. *:
Fino!
I’m a huge fan of you Caio… I believe in your talent and in many of your different skills!
“For the sake of making stuff more marketable” people keep to certains rules (which sometimes are really stupid) and screw things up! Not only in your field… but believe me… in many others! Sometimes people worry too much about selling stuff and forget about making something that people really want to pay for.
As cliché as I can possibly be, I’m gonna finish with.. Don’t stop believing! lol
Cheers!
<3 ain.
Me vejo em tu. O povo chama de frescura o que na verdade é um inferno de vida pra todo mundo que depende de certas coisas, especialmente aí em Recife. Não dá pra ser um profissional com limitações idiotas, impostas por sabe lá Deus o que…
Tão bom ter tu :~