Discurso sobre respeito e aceitação da sexualidade alheia

 

O Holocausto foi a sistemática, burocrática, – e patrocinada pelo governo – perseguição e execução de aproximadamente seis milhões de judeus pelo regime nazista e seus colaboradores.

Os nazistas acreditavam que os alemães eram “superiores em raça” e que os judeus, altamente inferiores, eram uma ameaça para a “comunidade racial germânica”.

Outros grupos foram perseguidos, sendo também considerados “racialmente inferiores”, como populações eslavas, ciganos, comunistas, socialistas, testemunhas de jeová e homossexuais; sendo não só esses os grupos ameaçados.

O contexto histórico é para deixar bem claro como um ponto de vista que inferioriza e pune a diferença pode ser danoso à humanidade.

Dentro da nossa realidade, a última minoria  citada, foi e tem sido perseguida—entre outras motivos—desde que alguém, por algum motivo—que não vem ao caso agora, resolveu colocar na Bíblia (livro no qual muitos dos valores éticos e morais da sociedade ocidental são baseados) que a homossexualidade é uma abominação—importante lembrar que ela não usa o termo propriamente dito, e que a bíblia é um livro extremamente simbolista e metafórico, onde “arroz” pode significar “feijão”. Nem tanto, mas é por aí. O que importa é que interpretação aceita desde que Bíblia é Bíblia é essa: menino com menino vai pro inferno, e o mesmo para o variante feminino da situação.

Ao mesmo tempo, vivemos em um país onde as pessoas são livres para escolher a religião que querem seguir e basear seus valores; assim como podem escolher não seguir nenhuma.

Devido à essa interpretação – esteja ela certa ou não – os homossexuais foram sempre vistos como errados e “contra a natureza” (condenem os leões, macacos, pinguins e girafas gays), tendo (entre todas as ações discriminatórias) seu direito à união civil tolhido.

Acostumou-se a tratar a diferença sexual com discriminação, preconceito e estereotipação. Valores que ficaram arraigados nas pessoas e foram transmitidos entre gerações. Crianças de dez anos fazendo chacotas do colega de classe que é diferente por conta das piadas de mau gosto que ouviram em casa, sem saber nem o porque do que estão fazendo.

Um valor religioso que foi tomando conta da sociedade, e se fazendo passal por “bom costume”. Afetando a maneira de pensar, e tirando a oportunidade de meninos de saber lidar com a diferença com respeito; produzindo adultos que continuam com o ciclo. Trocando em miúdos: deu em merda.

Aí é quando a religião alheia vem questionar. Ético, não? [i for irony]

Eu disse valor religioso (de UMA SÓ religião) que foi tomando conta da sociedade, não foi?  Acontece que – por incrível que pareça – há vida além do cristianismo. Outras religiões existem, além de podermos contar com a opção de não ter uma.

O que a lei diz sobre religião?

Artigo 5º da Constituição Federal

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

[…]

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

[…]

VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Fica claro que, no Brasil, você pode pegar uma lata de cerveja, chamar de Deus, e não ser preso por isso.

A mesma constituição, não permite que pessoas do mesmo sexo se unam civilmente. Por quê? AHÁ! valores RE-LI-GI-O-SOS, de UMA SÓ religião. Uma imposição que contradiz a própria constituição. Preconceito federal.

Sem a lei do lado, realmente fica mais difícil de conseguir no futuro um tratamento igualitário entre pessoas de diferentes orientações sexuais.

A discriminação preconceituosa, traz inúmeras consequências aos indivíduos, e nomear os sentimentos que são despertados ao se ver as sequelas do preconceito no comportamento humano não é tarefa das mais fáceis; são famílias em crise, violência, pessoas em depressão – que tendem ao uso descontrolado de drogas, lícitas ou não, marginalização e vários outros que não preciso citar.

“Nenhum veado presta; tudo fodido, marginalizado, com AIDS, drogado. Infelizes.”. Quero ver como estaria quem pensa assim se sofresse as mesmas coisas que um homossexual pobre e desassistido sofre.

É fácil ser “equilibrado” quando se é “normal” para a sociedade.

O preconceito que começa dentro de casa deixa muitos jovens sem referências, sem apoio de pai e mãe; e vão buscar esse apoio nas ruas, nos outros. Na maioria das vezes, não encontram; e realmente, acabam à margem. E quem marginaliza? Papai e mamãe, ensinado moral e bons costumes.

Ninguém acorda e diz “quero ser veado pra causar”. Deve haver quem o faça, mas tenho certeza que é um grupo bem pequeno. Não gosto de procurar causas para a homossexualidade. É e pronto. Porque é. Por quê eu gosto de carne e fulano gosta de salada?

Os homossexuais devem respeitar, se dar ao respeito, e ser respeitados. Assim como qualquer outra pessoa, independente da “etiqueta” que ela tenha.

Os nazistas acreditavam que os judeus eram inferiores em raça. Você, no que acredita?

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