eu, gravidade.

Ontem, surgem palavras do vazio. Recebo um email que – por incrível que pareça – não me foi surpreendente.

a versão sua gordinha, sorridente e calada

que usava cabelo molhado

e andava todo tempo do meu lado

ainda existe ou foi apenas o casulo já jogado

para esta versão de hoje, um ser tão malvado?

eu procurei a perfeição,

em você talvez então

a perfeição pra mim,

era você como descevi sim

e é tudo bregamente popularmente romântico

porque seu cheiro acabou de por aqui passar

e se passou, ficou

se ficou não se foi

e porque só ele não se foi?

você também não poderia fazer o favor de ficar também?

e se sinto a tua falta

mais falta sinto de mim mesmo

de quanto a inocência era o que nos unia

ou talvez só falta da inocência, e não de nós

e talvez meu eu forte, robusto e cabeludo

também fora um casulo

pra o que me tornei hoje

Ele foi a única pessoa que acredito ter me amado. Mas eu não aprendi a amá-lo. Ele não aprendeu a se amar. Eu, gravidade! Quem diria. Foi uma experiência para recordar, Nunca para reviver. Eu era outro, era outro momento, que me foi importante.

É, eu mudei, eu mudo, eu sou mudança. Sou presente. Não quero ser de ninguém a gravidade que não deixa os pés saírem do chão. Eu viro páginas.

Foi engraçado. Uma conversinha no fim da noite. Para que eu pudesse me orgulhar de mim pelo que sou hoje. Não pelo que fui. Ontem fui apenas terra batida. Hoje já sou fundação, alicerce. E virão paredes, teto. Serei casa.

E dos defuntos só quero a lembrança.

Eu, gravidade?

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Bom

é sentir que alguém gosta da gente. e gostar também.

bom

e saber que o senso de humor sempre vale a pena.

humor

Esses pequenos grandes momentos fazem a gente não perder de vez a esperança.

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o personare LÊ meu blog

É auto-explicativo (e surpreendente):

caioalves

quem leu meu último post vai entender.

Parece que o que está acontecendo comigo não é o começo de um novo tempo.

É um novo tempo pra um começo.

Para quem não conhece, o Personare é um serviço personalizado de astrologia/tarot e outras coisas mais, que você confere aqui. Esse foi o resultado do meu “tarot do dia”, um serviço parcialmente gratuito.

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purgatório

Sobre amor próprio e felicidade

Uma coisa que eu sempre costumo dizer é que  não se deve tornar a felicidade dependente das coisas ou pessoas. Tudo na vida é efêmero e não dá aviso prévio quando vai embora. Sofrer por causa do alheio não é atitude das que mais endosso, embora inevitável. Deixar essa dor durar que é suicídio.  É mais fácil perdoar os outros do que a si mesmo.

Somos carentes e, no final das contas, a sujeição emocional a algo ou alguém sempre se fará presente. Mas a felicidade tem que partir de dentro, para então ser somada ao que vier. Senão vira sentimento de aluguel, que você usa, mas não é seu. E o contrato um dia acaba.

Sobre o que sinto agora

Eu ando triste pra caralho. E nesse momento eu só queria estar triste por causa de algo que me tivessem feito. Se fosse assim, eu sacudiria a poeira e pronto. Todavia, estou triste comigo. É um enorme vazio existencial que às vezes vira uma auto-indiferença assustadora.

Não é “mexer as pernas e não sair do lugar”. É “não mexer as pernas e não ter lugar pra ir”. Numa fase onde me torno cada vez mais clinomaníaco — aquele que sofre de um desejo excessivo de permanacer na cama — e pseudo-depressivo.

Estou vivendo em um universo de amanhãs onde não há hoje. Preguiça de saber onde está meu pensamento (talvez vagando no nada em que me encontro). Sem um sentimento que seja para me chacoalhar.

Socorro!

Na minha mania de não me levar a sério e suprimir relovuções internas vou me afundando.

Já conheci o inferno, e posso garantir que foi menos maçante que esse purgatório onde estou sentado, em banco desconfortável. Deve ser esse ócio. Tenho mais é que tomar vergonha na cara e começar a tocar a vida em frente. Ah, que bom se fosse tão simples. Pior que é.

A gente é que tem mania de complicar as coisas.

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cabo-de-guerra

Me chamem de sonhador, tolo, ingênuo. Quero brincar de ser piegas.

Quero amar amor verdadeiro.

As pessoas parecem cada vez mais divididas entre real e parnasianismo. Está cada vez mais difícil encontrar os românticos.

Vai ver é esse individualismo século-vinte-e-um que deixa todo mundo sem vontade de se doar. Nessas, ainda ouço gente dizendo pra não banalizar o “euteamismo”. No mínimo engraçado nos tempos do sexo livre, dos beijos e carícias sem compromisso ou sentimento, dizerem para não banalizar o amor. Parece até uma desculpa disfarçada de politicamente correta para acorbertar o comodismo amoroso numa era onde satisfazer o instinto animal é um processo sem muitas dificuldades. Para quê amar?

Eu respondo que uma vida sem sentimento é uma vida vazia. E depois não sabem porque depressão é mal da modernidade. Não falo do sumiço do dito-cujo apenas entre casais. As pessoas esquecem de si mesmas. Quem não aprendeu a se amar não está pronto para externar o sentimento.

Quando em pares, agora só amam depois de mil provas, só amam quando têm “certeza”, depois de assinar a papelada em duas vias, numa tremenda burocracia emocional. No amor não há certezas, é o prazer de viver o desconhecido. “Amor” não é substantivo abstrado por acaso. E não são as respostas que movem a humanidade.

Ainda assim há aqueles dispostos a entrar na dança. Mas pelo medo de amar sem ser amado nasce o orgulho. Aí ninguém mais diz que ama; só espera que amem primeiro. Como se os relacionamentos tivessem virado cabos-de-guerra. E sucumbir é pisar na linha. Esperar que digam “eu te amo” primeiro não faz ninguém mais poderoso. Só mostra insegurança. É medo da dor.

Já dizia meu avô, que ensinou preciosas lições com seu jeito peculiar: “Quem tem medo de cagar não come.”. Certo, vovô. Quem tem medo da dor não ama.

Eu gosto de amar, me amar, e ser amado. Porque de amor é que se vive. Não tentar entendê-lo. Apenas vivê-lo. Sem receios, caindo e levantando. Tudo isso sem nem amassar a roupa.

[update]

Só um adendo. Vou confessar: Eu amasso a roupa sim. 😉

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