Gordo

É no mínimo estranho ter um laço inquebrável com uma pessoa completamente diferente de você. Alguém que, se não fosse por essa ligação, você odiaria.

Eu e meu pai somos opostos. Se me nego a engolir ideias pré-fabricadas, ele é dogmático. Se  ele é cara-de-pau, sou amarrado. E há aí um lista de antônimos entre os dois que minha preguiça não deixa listar.

Nunca soube demontrar meu afeto por ele. Afeto que tenho, mas cresceu abafadinho entre os inúmeros desencontros.

Hoje eu estava olhando praquele gordo risonho ao meu lado no carro. Os cabelos agora meio brancos, de quem passou por um monte de coisa. E em meio às mãos grossas que estralavam meus dedos pequenos de criança, em meio ao andar pesado, eu enxergo um homem carente. Quem diria, aquele homem grandão que amedronta com voz grave, para mim, é um bobão. Bobão que já me fez sentir muita raiva. E que já me fez feliz pra caramba.

Hoje ele estava me levando pra casa. Jantamos. O que adorei. Eu, morto de cansado, não estava nem um pouco feliz de voltar do trabalho de ônibus.

Virando uma esquinha de sempre, me escapuliram umas palavras que saíram sem jeito: “Pai… gosto tanto de tu”. No meu português carinhoso de pernambucano, na língua que a gente acha para expressar sentimentos. Ele brincou, com seu jeito de pensar rápido, para disfarçar o desconcerto. E ficamos os dois desconcertados.

Meu deu vontade de chorar. Fiquei com os olhos marejados, que nem estou agora. Porra, eu amo aquele ogro. Ele é meu pai. E  foi um puta pai durante a minha infância, mesmo enquanto lutava um bocado para se manter. Olho pra ele hoje e vejo que ele é um vencedor. E eu fico feliz de ter estado lá com ele. Na minha inocência, ele era um paizão. Hoje, na minha desilusão, depois de mágoas e brigas e atritos,  reconheço: ele é um paizão. Com todos os atropelos, diferenças e tudo mais.

Filho de bobão, bobinho é.

Padrão

uma cor pra cada.

Eu gosto desse seu jeito de fazer a vida parecer um filme.

Admiro teu jeito de lembrar que ela não é.

Mas é. Pra quem quer.

Meu diretor é um louco que adora cortes rápidos, fatos absurdos e cenas cheias de ritmo. E o teu?

Sou eu.

[…]

Acho engraçada sua capacidade de me instigar raiva; Porra, raiva mesmo. Isso, por vezes durante uma semana, me deixou pensativo.

Eu certamente quero entender.

Talvez seja essa forma fechada de escrever; A sobrancelha que me parece dizer mais que o falar; Ou como minha expansividade não te afeta.

Talvez seja um pouco de tudo. É curioso como só atentamos para nossas pequenas características quando apontadas por alguém. Você me enxerga. Fiquei até boquiaberto.

Tenho medo de você.

 

Padrão

caioalves.co.uk

Finalmente. Aproveitei esse tempo em casa, amarrado pela doença, para fazer algo por mim.

Eu havia comprado, há tempos atrás, o domínio caioalves.co.uk. Desse jeito mesmo, porquê tanto o caioalves.com.br quanto caioalves.com não estavam mais disponíveis. Eu poderia ter comprado o caioalves.net, mas a terminação acho cafona, e eu não sou nenhuma Network. Sobrou-me o caioalves.co.uk, que comprei bem barato até.

Devido à minha preguiça, incapacidade como webdesigner, e mania de adiar as coisas, fui deixando pra lá. Mas, como disse, nada que um tempo de castigo em casa não resolva.

Eu não entendo bulhufas de web. De HTML, CSS e dessas siglas aí só sei o básico. Mas dei tudo de mim e fiz meu site, e – surpreendendo-me – sozinho.

Eu queria uma página bem simples, só pra centralizar  a bagunça que é minha vida online. E mostrar meu trabalho. Fiz uma com proposta e layout incomuns. Que nem eu.  Achei bonito.

A navegação também é diferente. A princípio não há nada, mas é tudo bem intuitivo. Simples e elegante.

caioalves.co.uk

Abusei do meu logo. Por diversos fatores. Eu gostar dele foi dos mais fortes, mas também é pra fortalecer a marca.

Favor visitar.

Pronto, agora organizei a bagunça.

Padrão