Troubled sleep

Sobre o blog
Eu o tenho há uns quatro anos. Em 2008 comecei a postar textos que me mostravam de maneira bastante crua e que expunham meus sentimentos em meio às muitas metáforas que eu empregava de forma muito… erm… criativa. Lendo esses textos há algumas semanas eu me perguntei o porquê de tantas metáforas, e hoje me lembrei da resposta: era pra tentar mascarar um pouco o que se passava na minha cabeça e me fazer parecer menos óbvio e raso—e também exigir do suposto leitor um esforço mental para entender minhas linhas; se ele não entendesse, ótimo, me preservaria de tamanha exposição (o que não faz muito sentido uma vez que eu havia publicado meu íntimo, mas ajudava com a consciência pesada, acredite).  Muitos posts foram apagados. Me arrependo—eu poderia só tê-los não-publicados para consultas posteriores.
Eu há mais de um ano não sentia a necessidade de escrever aqui. Me fez parar também a quantidade de olhares que o blog atrairia, muito maior do que num passado próximo. Exposição realmente desnecessária. Olha, continuo sendo um merda/ninguém, mas às vezes sinto saudade de ser o bostinha que eu era antes, quando só meia dúzia de internautas (desculpa, juro que não consegui pensar em outra palavra) iria aparecer por aqui; e eu podia falar tudo o que eu quisesse sem ninguém me perguntado o que eu tinha no outro dia  (e mais um monte de repercussão indesejada/constrangedora.).

Sobre escrever no blog
É sempre assim: não consigo dormir cheio de pensamentos, abro o wordpress e consigo gerar posts enormes rápida e organicamente. (tinha esquecido como isso era bom e mágico, e acabei de lembrar, pouco antes de terminar essa sentença).

Sobre agora
Quem me conhece e mantém contato comigo há mais de quatro anos sabe como tudo pra mim aconteceu de forma muito rápida. Talvez até agora eu não tenho assimilado tudo muito bem, e esteja overwhelmed com a quantidade de informações e acontecimentos. O final de 2009 e todo o ano de 2010 foram tempos em que minha vida profissional se alavancou juntamente com minha experiência no campo afetivo (aprendi um monte de coisa,  mas de vem em quando me acho um newbie).
Viver em fast forward pode parecer massa, mas a sensação que tenho às vezes é de alienação e de uma existência no vácuo.  Há uns dois anos eu não me sentia assim—e acredito que publiquei algo nesse período, transliterando a sensação de forma merecedora de um parabém. Tô assim meio sem rumo, com as horas de sono fodidas e cheio de coisas para fazer que não faço devido à excelente eficácia do meu mecanismo de auto-boicote. Parece que de algum jeito abri mão do processo de ser quem eu tanto queria ser, da minha ruptura de uma vida sem sentido pra algo empolgante que, de um modo que só eu reconheço, estava indo muito bem (obrigado). Me sinto muito só, minha rotina me engoliu e me desrespeito de maneira prodigiosa.

Tenho a recorrente sensação que eu não tenho uma lugar pra chamar de lar, um lugar pra pertencer. Me incomoda muito a ideia de uma vida sem emoção e da impossibilidade de fazer coisas diferentes todos os dias e de não estar aprendendo nada novo, nem levando pra frente as ideias boas que tenho. Meu dia-a-dia virou uma campanha sem causa, com algumas fixações e problemas inventados pra encher o vazio. Tenho que fazer algumas coisa, e eu sei que só vou melhorar quando, mais uma vez, eu tirar da cartola uma forma nova de me reinventar, seja lá o que isso for.

Nunca mencionei aqui o meu relacionamento com a minha mãe. Ele sempre foi tranquilo, e costumava ser maravilhoso, até pouco depois das batalhas que travei com ela pra poder virar gente. Sou filho único de mãe solteira, e na infância ela se acostumou a saber tudo sobre mim; minha mãe era minha melhor amiga. Eu era superprotegido. Com 16 anos eu não ia dormir nem na casa de nenhum amiguinho do colégio. Com 17 anos eu despiroquei, fugi de casa algumas vezes e tive que usar de um tratamento de choque nos meus pais pra que eu tivesse minha liberdade. Eu construí uma barreira entra mim e minha genitora—era como se o minha convivência com ela representasse a cassação do meu direito de ir pra onde eu quisesse e fazer o que eu bem entendesse. Só estou contando isso pra dizer que, até hoje, por causa disso minha conexão com Dona Alves (mentira, ela nem tem Alves no nome) é uma droga. Mal nos falamos (embora vivamos na mesma casa) e ela vive reclamando disso com razão. Foi uma ponte que eu queimei e nunca fiz questão de reconstruir. Ficou um bloqueio. Tenho uma fobia de contar pra ela qualquer coisa a meu respeito puramente pelo medo de me sentir de novo com 15 anos, mesmo sabendo que eu cresci e isso é pura paranóia. E agora, estando forever alone nem com a minha mãe eu posso contar pra dividir minhas fraquezas sem me sentir humilhado pela piadinha embebida em mágoa que eu sei que ela vai soltar; afinal tive que provar quão bom eu era em me virar sozinho, e sempre fui muito eficiente nessa arte. (Meu relacionamento com meu pai nunca esteve tão ruim, posso até dizer que além dos protocolos de aniversário e dia dos pais, não existe lá um).

Quero pedir desculpas às pessoas que eu amo: minha mãe, por não reconhecer que ela é uma mãe maravilhosa, que passou por cima de muita coisa por mim; meu pai que sempre esteve lá quando precisei e fez da minha infância menos chata; meu namorado, porque eu sei que estou um saco, fico de cara amarrada por besteira e  cobro (mesmo que sem palavras) coisas que só eu posso me dar; meus amigos, por ser um fuleiro e sumir.

PS: Vejam ae

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