Not a pro

Que droga.

Eu já sabia disso e de outras coisas há algum tempo, a questão é que já tentei ser um criativo independente e deu merda, pra variar, porque eu não tenho estribeiras, e como já bem me disseram, tenho sérios problemas de—falte de—empatia, de modo a não conseguir levar a sério os problemas dos outros.

E, apesar de não gostar de ter que fazer as coisas num tempo que não era meu, ter que acordar cedo e depender do infernal transporte público sob o calor escaldante do Recife:

Voltei a trabalhar em escritório para poder ter um sensação de segurança —e fazer compras parceladas sabendo que no mês que vem ir ter grana certa. 

A questão é que não quero voltar a trabalhar em escritório, ter que me justificar o tempo todo e ser subjugado a pessoas que confundem verbo no infinitivo com a terceira pessoa no singular do presente. Essa vida não é pra mim 😦

Além do mais, no mercado daqui as pessoas pagam pouco pelo desgaste e quase nunca se pode fazer coisas que quebram ideias pré-fabricadas; seja pela clientela que não está preparada para aprovar algo ousado ou pela tromba de diretores de criação que implicam e suprimem ideias bacanas para não perderem o posto de gênios criativos do pedaço. Consigo pensar em vários episódios. 

No final das contas minha dedicação era equivalente às minhas impressões da atmosfera.

“Ah, Caio, mas tem que ralar”

A culpa é minha por não querer uma vida medíocre de assalariado, num mercado ainda em desenvolvimento mas já cheio de dogmas e manias feias, eu sei. A questão é que eu tive minha chance de sair dessa cilada e, como falei no início, desperdicei.

Todavia:

Estou me dando outra chance de tentar outras coisas agora. Adoro ser designer e sei que sou bom nisso. Mas foi por amor que comecei esse ofício, e não quero estragar o talento que a vida me deu fazendo projetos ruins e estragando coisas lindas  for the sake of making stuff more marketable.

Vou deixar de ser sedentário, vou aprender a tocar teclado e começar a produzir minhas próprias músicas. Vou aprimorar meus skills de ilustração, vou aprender a cozinhar melhor. Fiz uma tatuagem!!!! Quero voltar a fazer festas incríveis com toda a dedicação que eu tinha no início. Sei lá, vou fazer coisas. Não quero mofar.

Lição aprendida:

Nunca é tarde para ser feliz e se econtrar. Eu ainda não cheguei ao fim, mas estou novamente esperançoso. Sou uma alma livre.

Fin.

PS: Se você leu isso e se comoveu, e quer me ajudar, me dê dinheiro. Assim poderei me dedicar às mais variadas atividades e ainda pagar minhas contas. 😀

Banco Itaú, Ag 1247 Conta 65714-9. 

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