Uma lista de coisas que observei pela ótica recifense morando em São Paulo

As pessoas conseguem se comportar no metrô e tudo anda, tudo flui, como formiguinhas operárias uma atrás da outra sem maiores acidentes. Quem conhece Joana Bezerra sabe o que quero dizer.

Amo o costume de ficar parado à direita na escada rolante e deixar a esquerda livre.

A numeração das casas nas ruas realmente funciona no Google Maps e segue uma ordem lógica.

Não é nenhum drama ir pra um lugar longe quando há metrô. Imagine distâncias maiores que o percorrido por um Rio Doce – Piedade sem uma Agamenon no meio.

O ar é uma porcaria. Lip balm se tornou uma realidade. O cabelo melhora, a pele craquela.

Amplitude térmica é real.

Tenho, e muitos têm, doenças relacionadas ao stress.

Tudo é uma negociação.

Perdi meu superpoder de interagir com as pessoas na rua falando feitcho fera, aqui não tem fera. Aqui só tem mano e maluco. Não rola mandar um “ei jogador, faz duas por 5” pra negociar quaisquer preços na rua.

Mendigo adora apertar sua mão.

Pra dar oi é um beijinho só. Cheguei no Recife esses dias e deixei gente esperando pelo segundo. Isso acostuma rápido.

Tem muita gente dormindo na rua e já vi alguém sendo agredido enquanto dormia 😦

O gosto do feijão é melhor e não tem aquele monte de pedaços de carne misteriosos, nem jerimum, muito menos quiabo. Fico aliviadíssimo.

A coxinha não tem coentro, aliás, nada tem coentro. O que não acho melhor nem pior, só diferente.

Às vezes sinto falta do bifinho ao molho com coentro&cominho. Nem sinal disso.

O cachorro-quente é muito bom, é prensado, vem queijo e purê e eu acho isso genial.

Não tem água de coco in natura em todo canto. No Recife tem aqueles copinhos até na Subway.

Amo pedir batata baroa na feira pra confundir as pessoas. Aqui é mandioquinha. E mandioca aqui é o que chamamos de macaxeira.

As feiras de rua são maravilhosas e as hortaliças são show.

O caldo de cana é misturado com suco de fruta, my personal favorite: o de abacaxi. Ele é sempre vendido na feira pertinho dos pastéis, quem vêm bem recheados

Parmigiana aqui, é servido, pasmem, com ARROZ. A frustração foi grande ao descobrir isso.

Tem muita comida árabe boa.

Não existe o hamburgão como conhecemos no Recife, cheio de molho&milho, tipo Laça e Carlitos, que vem pingando e num pão meio mole com um hambúrguer fininho. São deliciosos, mas outra categoria. Acho inclusive que merecem um nome próprio. Mas aqui é tipo americano, tem uns EXCELENTES. Come-se muito bem.

Esqueça também os fiteiros de guaraná-do-amazonas. Esqueça dos fiteiros em geral. Só tem banca mesmo.

A pipoca doce é de groselha. Terrível.

Sobre nuts: castanha de caju é caríssimo, mas não é difícil achar pinole.

Vende torresmo em todo canto

 

Usa-se a preposição errada pra falar os dias da semana. Pilates “de” quarta, futebol “de” quinta. Mas o bom mesmo é que de segunda tem virado à paulista, melhor invenção pra hora do almoço.

Não vão saber o que é um maltado se você chegar pedindo na padaria.

Aliás, os PFs aqui são daora, gigantescos e são servidos em estabelecimentos que são meio bar, meio padaria, meio lanchonete. Esses geralmente tem cadeiras no balcão e mesas na rua, alem de um caixa que se esconde atrás de uma multidão de confeitos e displays de cigarro.

Quer que falo? Quer que eu pego? Essa conjugação, só aqui mesmo.

A parada de ônibus chama ponto. Desse jeito, sem conectivo. Aqui é “como chama?”, “como fala?”. Essa mania pega rápido.

Alguém explica pra moçada que não existe soMbrancelha? Essa ouço sempre.

Chamar sanduíche de “lanche” e o clássico BOLACHA OREO que não tenho nem como levar a sério. “O quarterão é a oferta ou só o lanche?”. Teu cu.

A mania de chamar pessoas pela primeira sílaba não é uma lenda, é real e é puro pânico quando no seu trabalho tem um Caio, uma Carol e uma Karen num raio de 5m.

Sacolas plásticas de supermercado são controladas. Acho ótimo.

Quando chove, moços oferecem “o guarda-chuvas” pra você comprar e não se molhar. Olha o guarda-chuvassss.

Balada boa aos domingos. Tem sim.

Tem tanta balada que o clima é meio impessoal. Claro, dependendo da festa você reconhece as caras, mas é o costume recifense de já saber exatamente quem você vai encontrar.

Os profissionais são, geralmente, mais profissionais. Até na hora de paquerar aqui são assim. Como já falei, é tudo uma negociação, é tudo muito na lata.

Bebe-se água da torneira e o aquecimento à gás é comum.

Não existe a síndrome da arquitetura de banheiro, aka cerâmicas brancas 10×10 revestindo os prédios. Sou muito grato por isso.

Não existe a lei bizarra da obra de arte na frente dos prédios. Quem é recifense sabe.

Não tem outdoors nas ruas e isso é ótimo.

Há um monte de estabelecimentos 24h, o que elimina a cultura do “beber em posto”. Posto aqui não é bar.

Muito táxis aceitam cartão, não é preciso esperar uma vida pelo aplicativo nem mendigar um na rua. Mas melhor que isso: Uber.

Persianas externas de enrolar em madeira. As que você puxa a fitinha.

As pessoas lembram de fatos relacionados às estações do ano. “No verão de 2012…“, porque de fato aqui elas existem.

 

 

 

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4 comentários sobre “Uma lista de coisas que observei pela ótica recifense morando em São Paulo

  1. Nilton Vilas Boas disse:

    Muito legal sua ótica recifepaulistana!!! A observação “Não tem outdoors nas ruas…”, em sampa??? essa eu não entendi.
    Parabéns!!!

  2. antonio disse:

    gostei, mas acho que em sao Paulo tem tanta gente de Pernambuco que são tantas culturas misturadas que depende em qual bairro você mora que se parece muito com várias partes do Brasil. São Paulo é a mistura do Nordeste. Tanto que se tem mais nordestino que qualquer estado do Brasil. Aliás vc é um gato. Espero um dia te conhecer pessoalmente sou seu admirador secreto

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