De novo isso?

Sim, infelizmente. Gostaria muito de não me dar ao trabalho de escrever esse texto, mas foi meu dever cívico não ficar calado. Reclamar de falta de respeito de novo porque aparentemente a coisa está longe do tolerável.

No último domingo 11 o grupo que se denomina feminista “Femen” invadiu e depredou uma loja da varejista Marisa em Belo Horizonte em protesto aos filme publicitários da rede que promovem valores bizarros, nomeando alguns: a objetificação da mulher, ditadura de padrões e beleza e um estandarte do machismo. Um show do equívoco. (Quem não ficou por dentro das discussões levantadas na época da veiculação dos primeiros comerciais, vale a pena procurar.) A intervenção do Femen foi, ao meu ver e aos olhos de diversos grupos feministas, desalinhada com as ideologias da causa. O grupo em questão já foi alvo de diversas críticas à sua postura violenta, carinhosamente auto-intitulada de “vandalismo simbólico”.

Desacreditar na forma como o Femen agiu e criticá-la foi uma reação que vi nas redes sociais hoje. Mas infelizmente não foi só isso que aconteceu.

A notícia da invasão no domingo reacendeu o questionamento da validade de um protesto e do posicionamento contrário às peças publicitárias da Marisa. É alarmante perceber como o machismo no âmago social embaça a visão de quem não se permite parar pra refletir por um momentinho sobre o que lhe foi incutido desde cedo. Muita gente incapaz de enxergar o teor negativo dos vídeos da loja, apontando como “mal comidas” ou chatas as pessoas inconformadas com o material. E esses nem foram os adjetivos mais denegridores. Em resumo, a bronca deixou de ser dada pra a atidude desacertada do Femen, sua real merecedora, e se voltou para a justa crítica à Marisa e os valores que ela pregou.

E com isso fui confrontado — mais uma vez — com o desagradável hábito das pessoas de desmerecer as causas defendidas pelos que se levantam pelo que acreditam.

“Com tanta coisa mais importante, esse povo vai protestar contra comercial? Sinceramente.” 

Ah, minha filha, vá se catar viu.

Da altura de suas camas, vários partilharam os links da notícia com frases semelhantes.  Machismo mata todos os dias, homens e mulheres de todas as idades, ricos e pobres. Ditadura da beleza mata também, e qualquer um que tem acesso à informação, um noticiário que seja, sabe disso.

Contudo, o objetivo maior dessa publicação nem é alertar para a óbvia legitimidade desses temas, mas sim lançar uma pergunta pra quem desdenha da luta alheia:

Você que reclama dos outros e acha que tem coisas mais importante pra se protestar, está fazendo alguma coisa em favor delas? 

Se for positiva a resposta, que bom, você é menos mala. Mas o mundo tem gente pra caramba, e se todo mundo advogasse pelo mesmo tópico, todo o resto ficaria de lado. Uma causa não tira a importância da outra, e o bacana mesmo seria cada um na sua (ou nas suas) trabalhando pelo que julga prioritário, e respeitando a batalha do vizinho.

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De volta ao gráfico

Eu havia criado esse pequeno gráfico abaixo para ilustrar meu post “Sobre machismo, identidade de gênero e preconceito“. Bastante simples, ele tinha como objetivo indicar de maneira rápida, dentro do contexto do que escrevi, a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual.

O gráfico é uma versão do The Genderbread Person. Fiz algumas adaptações e o simplifiquei para deixá-lo mais objetivo, cumprindo uma função dentro do post.

Acontece que a imagem ganhou o Facebook, e eu perdi o controle sobre ela. Embora muitas pessoas tenham achado a informação positiva, inúmeros questionamentos foram levantados sobre a sua superficialidade e maneira simplista de lidar com a tão complexa sexualidade humana. E com toda a razão. Sozinha sem um texto explicativo, a figura, que por si só já é uma versão reduzida, deixa a desejar na hora de esclarecer algumas questões.

Samuel Killermann do blog It’s Pronounced Metr⚥sexual (que é excelente, diga-se de passagem) e criador do gráfico original, também foi confrontado com potenciais problemas na ilustração, e junto com seus leitores, desenvolveu uma versão melhorada dela,  The Genderbread Person 2.0. Como também me sinto na responsabilidade de emitir uma informação de qualidade, já que a primeira, incompleta, foi bastante divulgada, desenvolvi uma nova versão baseada na 2.0 de Samuel. E você ainda escolhe a cor que achar melhor. 

Ainda está longe de ser perfeito. Não dá pra categorizar e etiquetar com precisão a sexualidade humana, e esse nem é o objetivo. Sugestões para melhorar serão sempre bem-vindas! Se quiser o arquivo-fonte para editar, é só pedir.

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Imagens:

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Lasanha de Soja

Receita originalmente postada ano passado no meu Facebook. Resolvi passar pra cá, com algumas adaptações e correções.

Essa é boa mesmo hein. E bem prática se você decidir utilizar os molhos já prontos comprados de supermercado.
Caso você decida fazer os molhos em casa (recomendo, fica mais gostoso e vale a pena se você tiver tempo extra), vou ensinar no final.

Ingredientes:

Para a estrutura
— 2 saquinhos (ou caixinhas) de molho de tomate pronto. Não vá confundir molho com extrato, hein.
— 1 saquinho (aprox 260g) de molho branco pronto.
— Aproximadamente 500g de queijo mussarela fatiado.
— Massa pra lasanha daquelas que não precisam de cozimento prévio e vão direto ao forno. Uma embalagem dá.
— Manjericão fresco picado ou de saquinho mesmo.
— Parmesão ralado

Para a soja
— 2 copos americanos de PTS, proteína texturizada de soja, aquela que imita carne moída.
— Meia cebola grande ou uma pequena,
— 1/3 de um pimentão verde
— 4 dentes de alho
— 3 colheres de sopa de molho shoyu
— Pimenta do reino moída
— 1 folha de louro
— Uma colher de sobremesa de cominho

Procedimento
Num recipiente, coloque a soja junto com a mesma quantidade de água — proporção de 1:1 — para hidratar. Numa panela, refogue no azeite: alho, cebola e pimentão, até a cebola fizar transparente e cozida. A soja fica na água por aproximadamente dez minutos, mas pode variar dependendo da marca. Essa informação você encontra com precisão na parte de trás da embalagem. Passado o tempo, junte a soja ao refogado, misture e adicione: shoyu, sal a gosto, pimenta, cominho e o louro. Pode adicionar mais azeite ou shoyu se vc achar necessário pra não ficar seco; no caso do segundo, se ligue pra não salgar demais. Mexa por uns 5 minutinhos, tampe e deixe em fogo baixo por mais 5 pra soja pegar o gosto dos temperos. Pronto.

Ligue o forno pra pré-aquecer.
Monte a lasanha num refratário retangular de preferência (geralmente faço num redondo, mas é por falta de opção). Aí vão o queijo, molhos, soja e massa na ordem que você achar melhor, assegurando-se de que as camadas de massa estarão sempre entre camadas de molho, seja branco ou tomate, de modo a garantir seu cozimento. Nas camadas de molho de tomate, jogue pitadinhas de manjericão. Gosto de finalizar com o queijo parmesão.

Deixe lá pelo tempo que for necessário pra massa cozinhar (o tempo é indicado na embalagem). Gosto de deixar sempre mais um poquinho pro queijo tostar nas laterais da assadeira. Yummi. A minha lasanha leva em média meia hora no forno médio.

Esse dia foi massa. A gente fez a lasanha e brownies.

Receita dos molhos branco e de tomate pra quem quer fazer em casa.

Tomate Esse molho básico fica super gostoso pra comer com massas quaisquer. Sempre faço e minha família adora (sempre quis dizer isso)
— 4 tomates maduros. Em supermercados maiores é fácil achar pacotinhos com “tomates para molho”, que já estão bem maduros e geralmente são mais compridos. Tomates comuns bem maduros também fazem um bom trabalho.
— 3 dentes de alho
— 1/3 de cebola
— Manjericão
— 4 colheres de sopa de azeite
— Pimenta do reino
— 3 fiapinhos alecrim. Alecrim é um perigo, se você perde a mão fica tudo com gosto de perfume.

Procedimento
Numa panela, coloque os tomates e encha de água até os cobrir. Deixe em fogo médio até que a pele dos tomates se solte. Você vai ver quando isso acontecer. Escorra, lave-os em água fria e retire sua pele.
Em uma panela — que pode ser a mesma, ela vai estar praticamente limpa — coloque o azeite e refogue alho e cebola. Em fogo baixo, ponha os tomates pelados lá junto com os temperos e com um garfo vá esmagando os tomates de modo que eles soltem seu molho, até que se desfaçam, mexendo sempre pra não grudar/queimar no fundo da panela. Tempo de cozimento é de aproximadamente vinte minutos.

Branco
— Meia cebola
— 1 caixinha de creme de leite
— 3 colheres de sopa de azeite
— Pimenta do reino a gosto
— 3 colheres de sopa de leite integral líquido

Procedimento
Refogue a cebola no azeite e adicione o resto dos ingredientes. Mexa até a consistência ficar bacana. Salgue ao seu gosto.

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Sobre machismo, identidade de gênero e preconceito

“Gay” não é o contrário de “homem”. Que eu saiba, orientação sexual e identidade de gênero são coisas diferentes.

Não é porque um homem tem interesse sexual por indivíduos do mesmo gênero fisiológio que ele vai se sentir uma mulher.

Me incomoda um pouco quem fala “brincando” que o homossexual é menos “homem” que quem é hétero. A menos que essa pessoa seja um transexual, não importa por quem nem pelo que ele se interessa, vai continuar sendo homem. 

Um gráfico[1] simples que fiz explicando isso:

Aliás, ser “mais homem” ou “menos homem” não deveria tornar ninguém melhor ou mais digno de respeito. Isso é puro machismo. Tanto quanto o dos próprios gays que chamam de “passiva” o outro que é mais flamboyant — ou pintoso, pra bom entendimento.

Se você usa do termo “passivo” com intuito de fazer piada com seu amigo que desmunheca mais que você, está se equiparando aos homofóbicos dinossauros que chamam o amigo de viado quando ele faz algo de errado, ou ao torcedor de futebol que chama o fã do time oponente de “bicha” pra tentar diminuí-lo.

Quem diz isso está basicamente sugerindo que ter um comportamento mais feminino implica que um indivíduo vai, necessariamente, cumprir na hora do sexo a posição de receptor, que por causa de séculos de preconceito e ignorância é equiparada à figura da mulher. Num pensamento machista e antiquado, a mulher é menosprezada e o homem que se iguala a ela merece ser ridicularizado. Isso é um aspecto cultural que já se podia observar em civilizações antigas onde a masculinidade era supervalorizada, tendo como exemplo a Grécia onde o parceiro passivo do relacionamento sofria com o estigma social.[2] 

Penso que muitas vezes as pessoas que usam disso como insulto não tem noção da carga de preconceito que a atitude carrega, e é triste dentro da própria comunidade gay ver esse machismo enraizado, a tiração de onda com quem é mais espalhafatoso ou delicado.
—”Ah, mas não foi a intenção, eu nem tava pensando nesse sentido”. Também não acho que o cafuçu que chama o outro de “viadinho” está imaginando o ódio que está sustentando. É sempre bom pensar duas vezes antes de tirar uma brincadeira; você pode estar perpetuando uma intolerância secular quando deveria combatê-la.

Todo mundo merece respeito, independente do que gosta de fazer na cama, com quem gosta de fazer, do seu sexo ou identidade de gênero, e isso não deve ser motivo pra fazer chacota com seu ninguém.

Notas:
[2] http://www.banap.net/spip.php?article112 ; http://en.wikipedia.org/wiki/Homosexuality_in_ancient_Greece
[1] http://goo.gl/xL7Jf

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Lanchinho

Lanchinho gostoso, realmente muito bom. É constituído de três partes:

Pasta de atum

1 lata de atum em pedaços ou ralado;
1 colher de sopa de maionese;
1 colher de sobremesa de mostarda;
1 colher de sopa de ketchup;
1 colher de sobremesa de azeite;
1/3 de uma cenoura, ralada bem fininha.
Coentro, só um toquezinho;
Salsa;
Pimenta do reino.

> Drenar bem o atum, adicionar os ingredientes e misturar bem tudo num recipiente. Guardar na geladeira e partir pro resto.

Pepinos

1/2 pepino ou 1 pepino japonês inteiro;
1 colher de sopa de açúcar;
1 colher de chá cheia de sal;
2 colheres de sopa de vinagre.

> Se o pepino for normal, gosto de cortar rodelas de aproximadamente seis centímetros e delas cortar finíssimas fatias longitudinais. Lembre de tirar as sementes que no caso desse pepipo são muito grandes. Saem fácil levando o corte inicial à torneira com água forte. Feito o corte, adicione o resto dos ingredientes e deixe marinando por uns dez minutinhos numa tigelinha à parte.
> Se o pepino for japonês é só cortar rodelinhas finíssimas. Feito o corte, adicione o resto dos ingredientes e deixe marinando por uns dez minutinhos numa tigelinha à parte. 

Enquanto o pepino pega o tempero:

Pão assado

Pão de forma, umas 6 fatias;
Manteiga.

> Numa frigideira derreter a manteiga e melar os dos lados do pão. Assar até ficar dourado e crocante.

Como se come:

Pega-se uma fatia de pão e coloca-se uma potoca do atum. Pra arrematar você coloca o pepino por cima. Mas só o pepino, sem a água que ele tá marinado, por favor. Leve à boca.
Isso vai ser a melhor coisa que você comeu no mês em que você fizer.

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A coin for the well

Eu acho que nunca tinha chorado assim antes de desespero. Já chorei por causa de filme, de alegria, já chorei por amor, mas nunca por desespero. De sentar no chão sem se preocupar de sujar a roupa e chorar e urrar e ficar todo feio.

Eu sempre tive a mania de esconder as minhas fraquezas das pessoas. Geralmente está sempre “muito bem, obrigado, sou muito fodão mesmo.”, inclusive pros meus amigos próximos. Não sei bem o que é isso, deve ser uma impressão de que não admitir os problemas para os outros é um forma de não encará-los. Além de ter o sentimento HORROROSO de que vai ter gente se regozijando em minha sofreguidão. Gente, isso é sério, terrível essa ideia. Sempre fui uma pessoa extremamente orgulhosa, e a sensação de fracasso é completamente difícil de lidar, e boa parte disso é preocupação em relação ao que as pessoas vão pensar. Que ruim.

Bonito, bem amado e bem sucedido”.

Obrigado. Mas não é. A parte do bem amado eu acredito, obrigado mamãe, papai, namorado e alguns amigos — mas quando a pessoa está se odiando é difícil conseguir aproveitar o amor que vem dos outros.

Bonito: eu não vou me fazer de pão pra ganhar requeijão, nem se preocupem, mas só eu e o espelho sabemos quão frágil é minha autoestima, e quando junta com esse outro fator desaba tudo:

Bem sucedido eu poderia rir pra não chorar, mas não tenho forças no momento. Só queria pedir que acendam uma vela e torçam por mim, porque não penso outra coisa senão que chegou o fim da linha pra mim. Poderia dar detalhes mas já basta de exposição por hoje. Bicho, eu há alguns anos escrevi um texto sobre o “purgatório emocional” (acho que era esse o termo, eu era super poético escrevendo e ADORAVA uma metáfora, risos.) e é exatamente essa sensação de estar jogando minha vida no lixo que estou tendo.

Também nesse pequeno desabafo queria me retratar com a sociedade pela minha amargura e por ser ranzinza e de achar tudo e todos medíocres. E ficar xingando as coisas pelas redes sociais. Ai que vergonha.

Quando uma pessoa não sabe lidar com a própria mediocridade tende a projetá-la nos outros. É isso, tenho que ficar de boa comigo pra poder ficar de boa com o mundo.

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